Tratamento de infeções urinárias recorrentes: como tratar e prevenir novas crises
O tratamento de infeções urinárias recorrentes deve ir além de tomar antibiótico sempre que surge ardor ao urinar. Quando as infeções voltam, é importante confirmar o diagnóstico, perceber os fatores que favorecem as recorrências e definir uma estratégia para reduzir novos episódios.
Neste artigo explicamos como é feito o tratamento das infeções urinárias recorrentes, que exames podem ser necessários, que opções existem para tratar e prevenir novas infeções, e quando faz sentido marcar consulta de Uroginecologia no Douro Centro Médico.
O que são infeções urinárias recorrentes?
Falamos em infeções urinárias recorrentes quando existem duas ou mais infeções urinárias em seis meses, ou três ou mais episódios num ano. Na maioria dos casos, tratam-se de cistites, ou seja, infeções localizadas na bexiga.
Os sintomas podem melhorar com antibiótico e regressar semanas ou meses depois. Isto pode acontecer por uma nova infeção ou, menos frequentemente, por persistência da mesma bactéria.
Porque é que as infeções urinárias voltam?
As infeções urinárias de repetição podem ter várias causas. Em algumas mulheres, surgem sobretudo depois das relações sexuais. Noutras, tornam-se mais frequentes após a menopausa, quando há maior secura vaginal e alterações dos tecidos da vulva, vagina e uretra.
Também podem contribuir fatores como baixa ingestão de água, hábito de adiar a micção, obstipação, diabetes, cálculos urinários, esvaziamento incompleto da bexiga ou alterações do pavimento pélvico.
Por isso, o tratamento deve ser adaptado a cada situação. Duas pessoas com o mesmo número de infeções podem precisar de abordagens diferentes.
Quais são os sintomas mais frequentes?
Os sintomas mais comuns de infeção urinária baixa podem incluir:
- ardor ou dor ao urinar;
- vontade frequente de urinar;
- urgência urinária, com dificuldade em adiar a ida à casa de banho;
- sensação de peso ou desconforto no baixo ventre;
- urina turva, com cheiro mais intenso;
- presença de sangue na urina.
Embora o sangue na urina possa surgir numa cistite, este sinal deve ser sempre valorizado, sobretudo se for persistente, recorrente ou se aparecer fora de um episódio claro de infeção.
Deve procurar avaliação médica mais rapidamente se tiver febre, arrepios, dor lombar, náuseas, vómitos, mal-estar importante, gravidez ou dor intensa. Estes sinais podem indicar uma infeção mais alta, como pielonefrite.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela avaliação dos sintomas e do histórico clínico. Procuramos perceber quantas infeções ocorreram, que tratamentos foram feitos, se houve uroculturas, se existe relação com relações sexuais, menopausa, doenças associadas ou medicação habitual.
Nas infeções recorrentes, a urocultura com antibiograma é muito importante. Este exame permite identificar a bactéria responsável e perceber a que antibióticos é sensível ou resistente.
Nem todo o ardor ao urinar é infeção urinária. Secura vaginal, vaginite, candidíase, infeções sexualmente transmissíveis, síndrome geniturinária da menopausa, bexiga hiperativa ou dor pélvica podem causar sintomas parecidos.
Quando há dúvidas, falha repetida do tratamento, sangue persistente na urina, dor lombar, febre ou infeções por bactérias menos habituais, pode ser necessário fazer avaliação complementar.
Tratamentos para infeções urinárias recorrentes
O tratamento das infeções urinárias recorrentes deve tratar cada episódio corretamente e reduzir o risco de novas infeções. A abordagem deve ser adaptada aos sintomas, às uroculturas e aos fatores que favorecem as recorrências.
As opções podem variar de mulher para mulher. De forma geral, a abordagem pode incluir:
| Opção de tratamento | Quando pode ser considerada |
| Tratamento do episódio agudo | Quando há sintomas compatíveis com infeção urinária ativa |
| Tratamento orientado por urocultura | Quando as infeções se repetem, há falha terapêutica ou suspeita de resistência |
| Estratégias preventivas não antibióticas | Em casos selecionados, para reduzir o risco de novos episódios |
| Tratamento de fatores associados | Quando existem secura vaginal, obstipação, alterações do pavimento pélvico ou esvaziamento incompleto da bexiga |
| Profilaxia antibiótica | Apenas em situações selecionadas, após avaliação médica individualizada |
1. Tratamento do episódio agudo
Quando há uma infeção urinária ativa, o tratamento pode incluir antibiótico. A escolha depende dos sintomas, da gravidade, da idade, gravidez, alergias, função renal e histórico de infeções anteriores.
Em algumas cistites simples, podem ser usados tratamentos curtos. No entanto, quando as infeções se repetem, é importante não repetir sempre o mesmo antibiótico sem orientação, porque a bactéria pode ser diferente ou resistente.
Para perceber melhor como é feita a abordagem inicial de uma infeção ativa, pode consultar o nosso artigo sobre tratamento da infeção urinária na mulher.
2. Tratamento orientado por urocultura
A urocultura ajuda a confirmar se existe infeção e qual a bactéria envolvida. O antibiograma mostra quais os antibióticos com maior probabilidade de serem eficazes.
Esta informação é especialmente útil quando há infeções frequentes, sintomas que regressam pouco tempo depois do tratamento, falhas terapêuticas ou suspeita de resistência aos antibióticos.
A urocultura também ajuda a evitar tratamentos desnecessários. Isto é importante porque sintomas urinários persistentes nem sempre significam infeção bacteriana ativa.
3. Estratégias preventivas não antibióticas
Em algumas mulheres, podem ser ponderadas estratégias preventivas não antibióticas. A escolha depende do perfil clínico, da frequência das infeções e dos fatores que parecem desencadear os episódios.
A metenamina pode ser considerada em casos selecionados como opção preventiva não antibiótica. Não é adequada para todas as pessoas e deve ser avaliada em consulta.
O cranberry, ou arando vermelho, pode ajudar algumas mulheres a reduzir recorrências, mas não deve ser visto como cura nem como substituto de antibiótico quando existe infeção ativa.
Probióticos, D-manose e outros suplementos têm evidência variável. Podem ser discutidos caso a caso, mas devem ser integrados num plano realista e não usados como solução isolada.
4. Tratamento dos fatores que favorecem as recorrências
Quando há infeções urinárias repetidas, é importante tratar fatores que possam estar a contribuir para o problema. Isto pode incluir obstipação, secura vaginal, alterações do pavimento pélvico, diabetes mal controlada ou hábitos urinários inadequados.
Na peri e pós-menopausa, os sintomas urinários podem estar associados à diminuição dos estrogénios. Nestes casos, pode ser necessário avaliar se existe síndrome geniturinária da menopausa e se faz sentido tratamento local.
Se existirem perdas de urina, sensação de bexiga mal esvaziada, prolapso ou dor pélvica, a abordagem deve ser mais abrangente. Nestes casos, a consulta de Uroginecologia pode ajudar a integrar os sintomas urinários e ginecológicos.
Que medidas ajudam a prevenir novas infeções urinárias?
A prevenção deve ser adaptada ao padrão das infeções. Ainda assim, existem medidas simples que podem ajudar a reduzir o risco de novos episódios em muitas mulheres.
Entre as medidas mais úteis estão:
- beber água de forma regular ao longo do dia;
- não adiar a ida à casa de banho;
- urinar após as relações sexuais, se as infeções surgem nesse contexto;
- evitar duches vaginais e produtos perfumados na higiene íntima;
- tratar a obstipação, quando existe;
- rever métodos contracetivos, sobretudo se houver uso de espermicidas;
- controlar diabetes ou outras doenças associadas.
Estas medidas não substituem avaliação médica quando há sintomas, mas podem fazer parte de um plano de prevenção. O mais importante é perceber se existe algum fator recorrente que esteja a desencadear as infeções.
Quando marcar consulta de Uroginecologia?
Deve ponderar marcar consulta quando tem duas ou mais infeções urinárias em seis meses, três ou mais num ano, necessidade frequente de antibióticos ou sintomas que voltam pouco tempo após o tratamento.
Também é importante procurar avaliação se existirem sintomas urinários após a menopausa, sensação de bexiga mal esvaziada, perdas de urina, prolapso, dor pélvica, sangue na urina ou infeções associadas às relações sexuais.
Na consulta de Uroginecologia do Douro Centro Médico, avaliamos os sintomas urinários e ginecológicos de forma integrada, procurando identificar fatores que possam estar a favorecer as recorrências.
Perguntas frequentes
Existe vacina para infeção urinária de repetição?
A chamada “vacina para infeção urinária de repetição” refere-se, em geral, a formas de imunoterapia bacteriana usadas com o objetivo de reduzir recorrências. Entre as opções conhecidas neste contexto está a imunoterapia bacteriana MV140/Uromune.
Esta opção pode ser discutida em casos selecionados, mas não é indicada para todas as mulheres. Antes de ponderar este tipo de abordagem, é importante confirmar que se trata mesmo de infeções urinárias recorrentes e rever os resultados das uroculturas.
O antibiótico preventivo é uma opção para as infeções urinárias recorrentes?
Sim, mas apenas em situações selecionadas. A profilaxia antibiótica pode ser considerada quando as infeções são frequentes, confirmadas e continuam a surgir apesar das medidas iniciais.
Pode ser feita durante um período definido ou, em alguns casos, após relações sexuais, quando esse é o principal desencadeante. Esta decisão deve ser sempre individualizada, devido ao risco de efeitos secundários e resistência aos antibióticos.
O estrogénio vaginal ajuda nas infeções urinárias recorrentes?
Em mulheres na peri ou pós-menopausa, o estrogénio vaginal pode ser ponderado quando existem sintomas como secura, ardor, dor nas relações, irritação vulvovaginal ou infeções urinárias recorrentes associadas a alterações geniturinárias.
Este tratamento é local e deve ser decidido após avaliação clínica. Para aprofundar este tema, pode consultar o artigo sobre problemas urinários na menopausa ou sobre síndrome geniturinária da menopausa.
Existe antibiótico de dose única para infeção urinária?
Em algumas cistites simples, pode existir tratamento antibiótico de dose única, como a fosfomicina, quando indicado pelo médico. No entanto, nas infeções recorrentes, a escolha deve ser mais cuidadosa.
A decisão deve considerar sintomas, uroculturas anteriores, alergias, gravidez, função renal e risco de resistência bacteriana.
Qual é o melhor antibiótico para infeção urinária na mulher?
Não existe um antibiótico que seja “o melhor” para todas as mulheres. A escolha depende da bactéria, do antibiograma, da gravidade dos sintomas, dos antecedentes clínicos e dos tratamentos usados anteriormente.
Repetir antibióticos antigos sem avaliação pode falhar e aumentar o risco de resistência.
Há medicamento de venda livre para infeção urinária?
Podem existir produtos de venda livre que ajudam no conforto urinário ou na prevenção, mas não substituem avaliação médica quando há sintomas de infeção.
Se houver ardor intenso, sangue na urina, febre, dor lombar, gravidez ou sintomas persistentes, deve procurar orientação médica.
As infeções urinárias recorrentes podem ser confundidas com outros problemas?
Sim. Ardor, urgência urinária e desconforto pélvico também podem surgir por secura vaginal, vaginite, candidíase, infeções sexualmente transmissíveis, bexiga hiperativa ou síndrome geniturinária da menopausa.
Quando os sintomas se repetem ou não melhoram com o tratamento habitual, é importante confirmar o diagnóstico.
Ginecologistas do Douro Centro Médico
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