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Tratamento da infeção urinária na gravidez: como é feito e quando tratar?

Tratamento da infeção urinária na gravidez: como é feito e quando tratar?
Última revisão em:
20 de Março 2026
Última revisão em:
20 de Março 2026
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    A infeção urinária na gravidez deve ser tratada sempre que confirmada, mesmo quando não provoca sintomas. Nesta fase da vida, a probabilidade de evolução para infeção renal é maior, e o tratamento adequado reduz o risco de complicações maternas e obstétricas.

    O tratamento baseia-se em antibióticos seguros para a gravidez, escolhidos de forma individualizada, tendo em conta a urocultura, o trimestre e o histórico clínico.

    Na nossa prática clínica em Obstetrícia, explicamos frequentemente que tratar uma infeção urinária na gravidez é uma medida preventiva – não apenas um alívio de sintomas.

    Porque é que a infeção urinária merece mais atenção na gravidez?

    Durante a gravidez, ocorrem alterações hormonais e anatómicas que facilitam a retenção de urina e a subida de bactérias:

    • Relaxamento dos ureteres por ação da progesterona;
    • Compressão do trato urinário pelo útero em crescimento;
    • Maior tendência para refluxo urinário;
    • Alterações na composição da urina.

    Estas mudanças aumentam o risco de bacteriúria assintomática, cistite e pielonefrite.

    Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), a bacteriúria assintomática ocorre em cerca de 2–10% das grávidas e, quando não tratada, pode evoluir para pielonefrite em até 30% dos casos. O diagnóstico e tratamento atempados reduzem estas complicações.

    Quando é necessário iniciar o tratamento?

    Na gravidez, não adotamos uma atitude expectante perante uma infeção urinária confirmada. Iniciamos tratamento sempre que há evidência laboratorial ou quadro clínico compatível com infeção, porque a probabilidade de progressão é superior à da população não grávida.

    Bacteriúria assintomática confirmada por urocultura

    Mesmo na ausência de sintomas, se a urocultura revelar uma contagem significativa de bactérias, recomendamos tratamento antibiótico.

    A grávida pode sentir-se completamente bem, mas nesta fase a bacteriúria assintomática pode evoluir para infeção renal se não for tratada. O objetivo é prevenir essa progressão e reduzir o risco de complicações obstétricas.

    Cistite (infeção urinária baixa)

    Quando existem sintomas urinários típicos – como ardor ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência miccional ou desconforto suprapúbico – iniciamos tratamento após colheita de urina para urocultura, sempre que possível.

    O antibiótico é ajustado de acordo com o antibiograma, caso necessário.

    Nesta fase, não há habitualmente febre nem dor lombar, o que ajuda a distinguir de uma infeção mais alta.

    Suspeita de pielonefrite (infeção renal)

    Se surgirem sintomas como febre, dor lombar, náuseas, vómitos ou mal-estar mais marcado, consideramos a possibilidade de infeção renal.

    Nestes casos, recomendamos avaliação clínica imediata. Dependendo da gravidade e do estado geral da grávida, pode ser necessário tratamento inicial por via endovenosa e vigilância hospitalar.

    Como é feito o tratamento da infeção urinária na gravidez?

    A abordagem depende do tipo de infeção, mas há princípios comuns: confirmar o diagnóstico, escolher o antibiótico adequado e acompanhar a evolução clínica.

    Como escolhemos o antibiótico?

    A escolha é sempre individualizada e tem em consideração:

    • Idade gestacional;
    • Resultado da urocultura e antibiograma;
    • Alergias medicamentosas;
    • Antecedentes de infeções urinárias recorrentes;
    • Gravidade do quadro clínico.

    Na prática clínica, utilizamos frequentemente penicilinas e cefalosporinas. Em casos selecionados de infeção urinária baixa, podem ser consideradas outras opções apropriadas para a gravidez.

    Evitamos antibióticos que não são recomendados nesta fase, como quinolonas e tetraciclinas.

    A duração habitual do tratamento varia entre 3 e 7 dias, dependendo do fármaco e do tipo de infeção.

    Tratamento da bacteriúria assintomática

    Mesmo sem sintomas, o tratamento é indicado quando a urocultura é positiva.

    Após a terapêutica:

    • Avaliamos a evolução clínica;
    • Em determinadas situações, pode ser recomendada urocultura de controlo, sobretudo em casos de maior risco ou recorrência.

    Tratamento da cistite

    Quando existem sintomas urinários:

    • Colhemos urocultura antes de iniciar antibiótico, sempre que possível;
    • Iniciamos terapêutica adequada;
    • Orientamos a vigilância dos sintomas.

    É habitual observar melhoria ao longo dos primeiros dias de tratamento. Caso os sintomas persistam ou se modifiquem, é aconselhável nova avaliação clínica.

    Tratamento da pielonefrite

    A pielonefrite é uma infeção do rim e pode exigir abordagem diferente.

    Nestes casos, é frequente ser necessária:

    • Avaliação hospitalar;
    • Terapêutica inicial por via endovenosa;
    • Monitorização materno-fetal;
    • Controlo da febre e hidratação.

    O tratamento adequado reduz significativamente o risco de complicações, incluindo parto pré-termo.

    É seguro tomar antibióticos na gravidez?

    Sim, quando prescritos por um médico e escolhidos de forma adequada ao trimestre e ao quadro clínico.

    O risco de não tratar uma infeção urinária confirmada é, em geral, superior ao risco associado aos antibióticos considerados seguros nesta fase.

    Em consulta, explicamos sempre:

    • Qual o medicamento escolhido;
    • Porque é o mais indicado naquele caso;
    • Possíveis efeitos secundários;
    • Sinais que justificam reavaliação.

    O que pode acontecer se a infeção não for tratada?

    Quando uma infeção urinária confirmada não é tratada na gravidez, existe maior probabilidade de progressão para infeção renal (pielonefrite). A pielonefrite pode provocar febre elevada, mal-estar significativo e, em alguns casos, necessidade de internamento para tratamento endovenoso.

    Além disso, a infeção não controlada pode associar-se a maior risco de contrações uterinas, parto pré-termo e baixo peso ao nascer.

    É importante sublinhar que estas situações não são a regra quando há diagnóstico atempado e tratamento adequado. Com vigilância clínica e terapêutica correta, o risco de complicações reduz-se de forma significativa.

    Como prevenir infeções urinárias durante a gravidez?

    Nem todas as infeções são evitáveis, mas algumas medidas podem reduzir o risco:

    • Manter uma ingestão hídrica adequada;
    • Não reter urina por períodos prolongados;
    • Urinar após as relações sexuais;
    • Manter higiene íntima adequada, evitando produtos irritantes;
    • Tratar obstipação quando presente;
    • Seguir corretamente as orientações para colheita de urina.

    Em grávidas com infeções recorrentes, a vigilância pode ser mais próxima e o plano de prevenção é ajustado caso a caso.

    Quando deve procurar avaliação médica?

    Recomendamos avaliação imediata se existir:

    • Febre;
    • Dor lombar;
    • Contrações;
    • Diminuição dos movimentos fetais;
    • Sintomas urinários persistentes.

    No Douro Centro Médico, acompanhamos a gravidez com vigilância clínica e laboratorial adequada, incluindo pedido de urocultura quando indicado

    FAQs

    Perguntas frequentes

    Depende muito das causas, gravidade e tratamento associado.

    Quando diagnosticada e tratada de forma adequada, o risco é reduzido.

    O problema surge sobretudo quando a infeção evolui para infeção renal, podendo associar-se a maior probabilidade de parto pré-termo ou baixo peso ao nascer. O tratamento atempado diminui significativamente esse risco.

    O paracetamol é, de forma geral, o analgésico e antipirético mais utilizado na gravidez.

    No entanto, qualquer medicação deve ser utilizada com orientação médica, especialmente se existir febre, uma vez que pode ser sinal de infeção renal.

    Pode acontecer. As alterações hormonais e anatómicas próprias da gravidez aumentam a predisposição para infeções urinárias.

    Quando existem episódios repetidos, reforçamos a vigilância, avaliamos possíveis fatores predisponentes e ajustamos o plano de acompanhamento de forma individualizada.

    A hidratação adequada ajuda a reduzir o desconforto e pode contribuir para a prevenção, mas não substitui o antibiótico quando existe infeção bacteriana confirmada por urocultura.

    Depende do caso clínico. Em situações como bacteriúria assintomática ou infeções recorrentes, pode ser recomendada uma urocultura de controlo para confirmar que a infeção foi erradicada. Noutras situações, a decisão é individualizada.

    Na infeção urinária, o mais típico é ardor ao urinar, urgência e aumento da frequência urinária. Na candidíase, é mais comum comichão vaginal e corrimento branco e espesso, com ardor sobretudo na vulva / vagina.

    Se houver dúvida (ou sintomas mistos), confirmamos com análise de urina / urocultura e, se necessário, avaliação ginecológica.

    Especialistas em Ginecologia e Obstetrícia do Douro Centro Médico

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