Tratamento da candidíase recorrente ou de repetição: o que fazer quando a infeção volta?
A candidíase pode tornar-se especialmente desconfortável quando regressa várias vezes, mesmo após tratamentos anteriores. Nestes casos, mais do que aliviar uma crise isolada, é importante perceber porque os sintomas voltam e se existe algum fator a favorecer as recaídas.
Neste artigo explicamos como é feita a avaliação da candidíase recorrente, quando pode ser necessário confirmar o diagnóstico e que opções podem ajudar a controlar os sintomas e reduzir novas crises.
O que é a candidíase recorrente?
A candidíase recorrente, ou candidíase de repetição, acontece quando os sintomas de candidíase vaginal voltam várias vezes ao longo do tempo ou regressam pouco depois do tratamento.
É causada pelo crescimento excessivo de fungos do género Candida, sobretudo Candida albicans, que podem existir naturalmente na região genital sem causar sintomas. Quando há desequilíbrio da flora vaginal, podem surgir comichão, ardor, irritação e corrimento.
Nestes casos, é importante confirmar o diagnóstico antes de repetir antifúngicos, porque nem todos os episódios de comichão ou corrimento são candidíase.
Porque é que a candidíase volta tantas vezes?
A candidíase pode voltar por vários motivos. Em algumas mulheres existe um fator associado; noutras, não se identifica uma causa única.
Entre os fatores que podem favorecer candidíase de repetição estão:
- uso recente ou frequente de antibióticos;
- diabetes, sobretudo quando a glicemia não está bem controlada;
- gravidez, alterações hormonais ou imunidade diminuída;
- uso de medicamentos que interferem com a resposta imunitária, como corticoides;
- espécies de Candida menos sensíveis aos tratamentos habituais;
- irritação local por produtos perfumados, duches vaginais, excesso de higiene íntima, roupa apertada, calor ou humidade;
- diagnóstico incorreto, quando a causa dos sintomas é outra.
Quando os sintomas se repetem, é essencial confirmar o diagnóstico, identificar fatores associados e ajustar o tratamento.
Quais são os sintomas mais frequentes?
Os sintomas da candidíase recorrente são semelhantes aos da candidíase vaginal comum, mas repetem-se ou tornam-se persistentes.
Os sinais mais frequentes incluem:
- comichão intensa na vulva e vagina;
- corrimento branco, espesso e grumoso, muitas vezes descrito como semelhante a queijo fresco;
- ardor vaginal ou vulvar;
- vermelhidão e irritação;
- dor ou desconforto nas relações sexuais;
- ardor ao urinar, sobretudo quando a urina toca na pele irritada;
- fissuras ou sensação de pele “ferida” na vulva.
Ao contrário da vaginose bacteriana, a candidíase não costuma causar corrimento com odor forte. Se houver cheiro intenso, corrimento acinzentado ou amarelo-esverdeado, dor pélvica, sangramento fora da menstruação, lesões genitais ou risco sexual recente, devemos ponderar outras causas, como vaginose bacteriana ou infeções sexualmente transmissíveis.
Como é feito o diagnóstico da candidíase recorrente?
O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame ginecológico. Em consulta, avaliamos os sintomas, a frequência das crises, os tratamentos já realizados e se a melhoria foi completa ou apenas temporária.
Quando a candidíase volta várias vezes ou não melhora com o tratamento habitual, pode ser necessário confirmar a causa com colheita de corrimento vaginal, cultura ou testes laboratoriais.
Esta confirmação ajuda a identificar se existe Candida, qual a espécie envolvida e se há outras causas possíveis para os sintomas, como vaginose bacteriana, irritação vulvar, secura vaginal ou infeção urinária.
Como é feito o tratamento da candidíase recorrente?
O tratamento da candidíase recorrente deve ser definido caso a caso. Antes de escolher a abordagem, é importante confirmar a causa dos sintomas e perceber se existem fatores a favorecer as recaídas, como gravidez, diabetes, imunidade diminuída, medicação habitual ou espécies menos sensíveis aos antifúngicos comuns.
Em geral, o tratamento tem dois objetivos: controlar a crise atual e, quando necessário, reduzir o risco de novas recaídas.
Tratamento da crise atual
Quando há sintomas ativos, podem ser usados antifúngicos vaginais, como óvulos, comprimidos vaginais ou creme. Em alguns casos, pode ser prescrita medicação oral antifúngica.
Nas candidíases recorrentes, o tratamento inicial pode ter de ser mais prolongado do que numa candidíase simples. As orientações do CDC referem, por exemplo, antifúngico tópico durante 7 a 14 dias ou fluconazol oral em tomas espaçadas, quando clinicamente adequado.
Tratamento de manutenção
Quando a candidíase recorrente está confirmada, pode ser necessário tratamento de manutenção para reduzir a frequência das crises.
Um dos esquemas descritos nas orientações internacionais é fluconazol oral semanal durante 6 meses, quando não há contraindicações. Em algumas situações, podem ser consideradas alternativas tópicas intermitentes.
Este acompanhamento deve ser feito por médico, para avaliar riscos, interações medicamentosas, gravidez ou possibilidade de gravidez, e resposta ao tratamento.
A manutenção pode controlar as recaídas, mas algumas mulheres podem voltar a ter sintomas após terminar o esquema.
Situações que exigem cuidados específicos
O tratamento pode ser diferente quando a infeção é causada por espécies não albicans, como Candida glabrata, que podem responder pior aos antifúngicos habituais. Nestes casos, pode ser necessário prolongar ou ajustar a terapêutica.
Na gravidez, a candidíase exige especial cuidado. Os tratamentos vaginais são geralmente preferidos quando há indicação médica, e a medicação oral antifúngica não deve ser usada por iniciativa própria.
O parceiro só precisa de avaliação se tiver sintomas, como vermelhidão, comichão, ardor, fissuras ou irritação no pénis. Sem sintomas, tratar o parceiro sistematicamente nem sempre é necessário.
Como prevenir novas crises de candidíase?
A prevenção da candidíase recorrente depende da causa. Quando existe diabetes, por exemplo, o controlo da glicemia é importante. Se os episódios surgem após antibióticos, pode ser necessário planear estratégias preventivas em situações futuras, sempre com orientação médica.
Alguns cuidados podem ajudar a reduzir irritação local e desequilíbrios da flora vaginal:
- evitar duches vaginais;
- evitar sabonetes perfumados, toalhitas íntimas, desodorizantes vaginais ou produtos agressivos;
- preferir roupa interior de algodão e evitar roupa muito apertada durante longos períodos;
- trocar roupa molhada ou transpirada rapidamente;
- não usar antibióticos ou antifúngicos repetidamente sem indicação médica;
- evitar relações sexuais se houver dor intensa, fissuras ou irritação marcada;
- procurar avaliação se os sintomas regressarem pouco tempo depois do tratamento.
Embora possam ser considerados em alguns casos, os probióticos não devem ser usados como tratamento principal da candidíase recorrente. A prioridade deve ser confirmar o diagnóstico e iniciar a terapêutica antifúngica adequada, quando indicada.
Quando deve marcar consulta de Ginecologia?
Deve marcar consulta de Ginecologia se a candidíase volta com frequência, se os sintomas persistem apesar do tratamento ou se já usou vários antifúngicos sem melhoria duradoura.
A avaliação também é importante quando há sinais que podem indicar outra causa, como corrimento com odor forte, corrimento acinzentado ou amarelo-esverdeado, dor pélvica, febre, sangramento fora da menstruação, lesões na vulva ou suspeita de infeção sexualmente transmissível.
Também deve procurar orientação se estiver grávida, tiver diabetes, imunidade diminuída ou sintomas que interferem com o conforto íntimo e a qualidade de vida.
Ginecologistas do Douro Centro Médico
Perguntas frequentes
Como acabar com a candidíase de repetição?
O primeiro passo é confirmar se os sintomas são realmente causados por Candida. Depois, o tratamento pode incluir antifúngico para a crise atual e, em alguns casos, terapêutica de manutenção durante vários meses.
A candidíase de repetição tem cura?
Muitas mulheres conseguem controlar os episódios com diagnóstico correto e tratamento adequado. No entanto, algumas podem voltar a ter sintomas após terminar a manutenção.
Quando isso acontece, é importante reavaliar, excluir outras causas e ajustar o plano.
Quanto tempo demora a curar uma candidíase?
Depende da gravidade e do tratamento usado. Episódios simples podem melhorar em poucos dias, embora a resolução completa possa demorar mais.
Na candidíase recorrente, o tratamento pode ser mais prolongado e, em alguns casos, incluir manutenção durante vários meses.
É possível ter candidíase sem corrimento?
Sim. Algumas mulheres têm sobretudo comichão, ardor, vermelhidão ou fissuras, sem corrimento evidente.
Ainda assim, estes sintomas não são exclusivos da candidíase. Podem ocorrer em irritações, alergias, secura vaginal, infeções urinárias ou outras infeções ginecológicas.
O fluconazol resolve a candidíase recorrente?
O fluconazol pode fazer parte do tratamento em algumas mulheres, mas não deve ser usado repetidamente sem avaliação médica.
Nem todas as espécies de Candida respondem da mesma forma, e o medicamento pode não ser adequado em gravidez, em algumas doenças ou com certas medicações.
Quais são os melhores probióticos para candidíase?
Não existe um probiótico que possa ser considerado o melhor tratamento para candidíase recorrente. A evidência científica não permite substituir o diagnóstico e os antifúngicos por probióticos.
Se houver interesse em usar probióticos, essa decisão deve ser discutida em consulta, sobretudo quando há episódios repetidos.
A candidíase recorrente é uma infeção sexualmente transmissível?
A candidíase vaginal não é considerada uma infeção sexualmente transmissível clássica. No entanto, os sintomas podem ser semelhantes aos de outras infeções, incluindo algumas infeções sexualmente transmissíveis.
Por isso, se houver corrimento com odor forte, dor pélvica, lesões genitais, sangramento fora da menstruação ou risco sexual recente, deve ser feita avaliação médica.
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