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Tratamento da Adenomiose: quais as opções e quando é necessário cirurgia?

Adenomiose tratamento
Última revisão em:
12 de Março 2026
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12 de Março 2026
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    O tratamento da adenomiose depende sobretudo da intensidade dos sintomas, da idade da mulher e do desejo de engravidar. Em muitos casos, conseguimos controlar a dor e as hemorragias abundantes com terapêutica hormonal; noutras situações, pode ser necessário recorrer a cirurgia. 

    Ao longo deste artigo explicamos, de forma clara e focada no tratamento, o que pode ser feito perante um diagnóstico de adenomiose uterina e esclarecemos dúvidas frequentes.

    O que é a adenomiose uterina?

    A adenomiose uterina ocorre quando tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) cresce no interior do músculo uterino (miométrio). Este crescimento provoca inflamação e aumento do volume do útero, podendo originar:

    • Hemorragias menstruais abundantes;
    • Dismenorreia intensa (dores menstruais fortes);
    • Dor pélvica crónica;
    • Sensação de peso pélvico.

    É mais frequente entre os 35 e os 50 anos, mas pode surgir antes.

    Quando é necessário tratar a adenomiose?

    Nem todas as mulheres com adenomiose necessitam de tratamento imediato. A decisão baseia-se em:

    • Intensidade da dor;
    • Impacto na qualidade de vida;
    • Grau de anemia associado às perdas menstruais;
    • Desejo reprodutivo;
    • Idade e proximidade da menopausa.

    Na nossa experiência clínica, há mulheres com achado ecográfico sugestivo de adenomiose que são praticamente assintomáticas e não precisam de intervenção, apenas vigilância.

    Quais são as opções de tratamento para a adenomiose?

    Depois de confirmarmos o diagnóstico e avaliarmos o seu caso de forma individualizada, existem diferentes abordagens terapêuticas que podem ser utilizadas para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

    1. Tratamento hormonal (primeira linha na maioria dos casos)

    O tratamento hormonal tem como objetivo reduzir o estímulo estrogénico sobre o endométrio e diminuir a inflamação local.

    As opções mais utilizadas incluem:

    • Pílula contracetiva combinada;
    • Progestativos isolados;
    • Dispositivo intrauterino com levonorgestrel (DIU hormonal);
    • Análogos da GnRH (em situações selecionadas).

    Observamos frequentemente que o DIU hormonal é particularmente eficaz na redução das hemorragias abundantes e na melhoria da dor, sendo uma das opções mais utilizadas quando não há contraindicações.

    2. Analgésicos e anti-inflamatórios

    Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ajudar a controlar a dor menstrual, sobretudo em fases iniciais ou como complemento do tratamento hormonal. No entanto, raramente resolvem o problema isoladamente quando os sintomas são intensos.

    3. Adenomiose tratamento para engravidar

    A adenomiose pode estar associada a dificuldade em engravidar, sobretudo quando coexiste com endometriose. 

    A estratégia terapêutica deve ser definida de forma individualizada, considerando a idade, a reserva ovárica, a gravidade dos sintomas e o tempo de tentativas.

    Em função do caso, podem ser consideradas as seguintes abordagens:

    • Tratamento hormonal temporário para reduzir inflamação e otimizar as condições uterinas antes de tentar engravidar;
    • Suspensão da terapêutica supressora e tentativa de gravidez espontânea em situações ligeiras e com bom prognóstico;
    • Técnicas de procriação medicamente assistida, quando indicado.

    Na nossa prática, a decisão é suportada por uma avaliação clínica completa e por ecografia pélvica detalhada e, quando necessário, por exames complementares, ajustando o plano reprodutivo ao perfil e aos objetivos de cada mulher.

    4. Tratamento cirúrgico

    A cirurgia é ponderada quando os sintomas são persistentes e incapacitantes, ou quando o tratamento médico não permite controlo adequado.

    A cirurgia pode ser considerada quando:

    • Os sintomas são muito incapacitantes;
    • Existe falência do tratamento médico;
    • A mulher não pretende engravidar;
    • Há suspeita diagnóstica que levante dúvidas.

    A histerectomia (remoção do útero) é o tratamento definitivo da adenomiose, mas é uma decisão que exige avaliação criteriosa e discussão detalhada. 

    Em casos muito selecionados e com desejo reprodutivo, pode considerar-se cirurgia conservadora, embora os resultados variem e devam ser enquadrados caso a caso.

    Adenomiose e endometriose: o tratamento é diferente?

    A adenomiose e a endometriose podem coexistir. Enquanto na adenomiose o tecido está dentro do músculo uterino, na endometriose encontra-se fora do útero.

    O tratamento pode ser semelhante em termos hormonais, mas a abordagem cirúrgica e o impacto na fertilidade podem diferir. É fundamental um diagnóstico rigoroso para definir a melhor estratégia.

    O que acontece se a adenomiose não for tratada?

    Se a adenomiose sintomática não for tratada, pode ocorrer:

    • Anemia por perdas abundantes;
    • Agravamento da dor;
    • Impacto significativo na qualidade de vida;
    • Possível interferência na fertilidade.
    FAQs

    Perguntas frequentes

    A adenomiose não é considerada uma lesão pré-maligna e, por si só, não está habitualmente associada a um aumento significativo do risco de cancro. 

     

    Ainda assim, hemorragias uterinas anormais – sobretudo quando surgem fora do padrão habitual, após relações sexuais ou após a menopausa – devem ser sempre avaliadas por um ginecologista para excluir outras causas, incluindo alterações do endométrio.

    A única forma definitiva de eliminar a adenomiose é através da histerectomia. Contudo, muitas mulheres conseguem excelente controlo dos sintomas com tratamento médico.

    O DIU hormonal pode ser uma opção eficaz no controlo da hemorragia menstrual abundante e na redução da dor associada à adenomiose. Ao libertar progestativo localmente no útero, ajuda a diminuir o espessamento do endométrio e a inflamação, com menor impacto sistémico. A sua indicação deve ser avaliada de forma individualizada.

    Sim, é possível. O impacto na fertilidade varia de caso para caso e deve ser avaliado individualmente.

    A ecografia pélvica e, em alguns casos, a ressonância magnética ajudam a diferenciar. Os miomas são tumores benignos bem delimitados; a adenomiose é mais difusa no músculo uterino.

    Com a redução natural dos estrogénios na menopausa, os sintomas tendem a melhorar significativamente.

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