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Conjuntivite em bebés e recém‑nascidos: guia completo

conjuntivite em bebé
Última revisão em:
04 de Novembro 2025
Última revisão em:
04 de Novembro 2025
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Índice
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    A conjuntivite em recém‑nascido (ophthalmia neonatorum) é uma inflamação ocular nas primeiras 4 semanas, causada por agentes químicos, bacterianos (gonococo, clamídia) ou virais (herpes). Apresenta olhos vermelhos, pálpebras inchadas e corrimento. O diagnóstico é clínico e, frequentemente, laboratorial. O tratamento varia conforme a causa – desde higiene com compressas até antibióticos tópicos ou sistémicos.

    Nos bebés com mais de um mês de idade, a conjuntivite continua a ser frequente e pode ter causas ligeiramente diferentes. As infecções bacterianas e virais são as mais comuns, mas a conjuntivite alérgica também começa a surgir, sobretudo após os seis meses.

    Embora, na maioria dos casos, não seja grave, é fundamental reconhecer os sinais, aplicar o tratamento adequado e saber quando procurar ajuda médica. Este guia abrange todas as faixas etárias dos primeiros dois anos de vida, com informação prática e baseada em fontes clínicas fiáveis.

     

    Tópico principal

    Descrição

    Causas

    Química, bacteriana, viral, alérgica

    Sintomas

    Vermelhidão, corrimento, fotofobia

    Diagnóstico

    Avaliação clínica, cultura, glaucoma diferencial

    Tratamento neonatal

    Higiene, antibióticos tópicos/orais, antivirais

    Tratamento em bebés mais velhos

    Colírios antibióticos, anti‑histamínicos, lágrimas artificiais

    Prevenção

    Profilaxia ao nascer, higiene, evitar contágio

    Contágio e regresso à creche

    Período de infecciosidade variado conforme causa

    O que é conjuntivite neonatal?

    A conjuntivite em recém‑nascido, também chamada oftalmia neonatal, é uma inflamação da conjuntiva (membrana que reveste o “branco” do olho) ocorrendo até 1 mês de vida.

    Causas principais da Conjuntivite em Recém-nascidos

    A conjuntivite neonatal pode surgir por:

    • Irritação química: geralmente devido aos colírios aplicados nos olhos após o parto; aparece entre 6 a 8 horas de vida e resolve-se espontaneamente em poucos dias.
    • Infecção bacteriana:
      • Neisseria gonorrhoeae (gonococo): provoca sintomas intensos em 2 a 5 dias e pode causar lesões graves na córnea.
      • Chlamydia trachomatis: surge entre 5 a 14 dias após o nascimento; é uma das causas mais comuns.
    • Infecção viral: associada ao vírus do herpes simples (HSV), embora rara, pode ser grave.
    • Alergias (mais comum após os 6 meses): provocadas por pólen, ácaros ou poeiras domésticas.

    Sinais e sintomas

    Os sinais mais frequentes incluem:

    • Olhos vermelhos ou rosados
    • Pálpebras inchadas
    • Corrimento aquoso ou purulento (pus)
    • Incomodidade com a luz (fotofobia)
    • Pálpebras coladas ao acordar

       

    No caso de infecção por gonococo, o corrimento é espesso e abundante, podendo surgir poucas horas após o nascimento.

    Diagnóstico

    O diagnóstico deve ser realizado por um médico. Em recém-nascidos, é comum proceder-se à recolha de secreções oculares para cultura laboratorial, especialmente se houver suspeita de infecção bacteriana. Esta análise permite identificar o agente responsável e orientar o tratamento.

    A DGS recomenda que qualquer corrimento ocular purulento nos primeiros dias de vida seja avaliado com urgência por um profissional de saúde.

    Tratamento da Conjuntivite nos recém-nascidos (0 a 28 dias)

    O tratamento da conjuntivite nos recém-nascidos depende da causa e deve ser sempre supervisionado por um médico:

    • Conjuntivite química: cuidados de higiene com compressas embebidas em soro fisiológico morno. Costuma resolver-se em 2 a 4 dias.
    • Bacteriana (gonococo): antibiótico intravenoso (geralmente ceftriaxona ou cefotaxima), com vigilância hospitalar.
    • Bacteriana (clamídia): antibiótico oral (como eritromicina), durante cerca de 14 dias.
    • Viral (herpes): antiviral sistémico (aciclovir), sempre com acompanhamento hospitalar especializado.

    Tratamento da Conjuntivite nos bebés (não recém-nascidos)

    Bebés com 1 a 2 meses

    Nesta fase precoce da vida, o sistema imunitário ainda está em desenvolvimento, pelo que o tratamento é cauteloso e próximo do que se faz em recém-nascidos:

    • Conjuntivite bacteriana leve: geralmente tratada com colírios antibióticos (ex: tobramicina ou cloranfenicol), desde que prescritos por um médico e com monitorização dos sintomas.
    • Conjuntivite bacteriana moderada a grave: pode requerer antibiótico oral ou intravenoso, especialmente se houver febre, inchaço marcado ou corrimento muito espesso.
    • Conjuntivite viral: não exige antibióticos. O tratamento é feito com limpeza ocular frequente, lágrimas artificiais sem conservantes e observação.
    • Casos suspeitos de clamídia, gonococo ou herpes: devem ser tratados como nos recém-nascidos, com recurso a exames laboratoriais e apoio hospitalar.

       

    Em bebés com menos de 3 meses, qualquer sinal de infeção ocular deve ser avaliado rapidamente por um pediatra ou oftalmologista pediátrico, devido ao risco acrescido de complicações.

     

    Bebés com 3 meses a 2 anos

    • Conjuntivite bacteriana: colírios antibióticos, geralmente bem tolerados (cloranfenicol, tobramicina).
    • Conjuntivite viral: higiene ocular e lágrimas artificiais. É comum em casos de constipação.
    • Conjuntivite alérgica: mais comum após os 6 meses; tratada com colírios anti-histamínicos apropriados para bebés.

    É possível prevenir a conjuntivite nos bebés?

    Evitar a conjuntivite nos primeiros meses de vida passa por medidas simples, mas eficazes. A higiene adequada e alguns cuidados logo após o parto ajudam a reduzir significativamente o risco de infecções oculares em recém-nascidos e bebés mais velhos.

    As nossas principais recomendações são:

    • Aplicação de colírios preventivos ao nascimento (ex: eritromicina ou iodopovidona);
    • Lavagem frequente das mãos dos cuidadores;
    • Não partilhar toalhas, fronhas ou outros objetos pessoais;
    • Desinfeção adequada de brinquedos ou utensílios usados pelo bebé.

    Agende uma consulta de Pediatria

    No Douro Centro Médico

    Av. da Boavista 197, 2ºB, 4050-115 Porto, Portugal

    FAQs

    Perguntas frequentes

    Depende da causa:

    • Bacteriana: só após 24 horas de tratamento com antibiótico
    • Viral: recomenda-se afastamento até desaparecerem os sintomas (7 a 14 dias)
    • Alérgica: não é contagiosa – pode frequentar a creche normalmente

    Com gaze esterilizada e soro fisiológico morno. Limpar sempre do canto interior para o exterior, utilizando uma gaze diferente para cada olho.

    • Química: geralmente, entre 2 a 4 dias
    • Bacteriana: geralmente, entre 5 a 7 dias com tratamento adequado
    • Viral: geralmente, até 14 dias
    • Alérgica: depende da exposição ao alergénio
    • No caso da conjuntivite bacteriana: Desde o início dos sintomas até 48 horas após início do antibiótico;
    • No caso da conjuntivite viral: Durante todo o período de sintomas.
    • Conjuntivite alérgica: não é contagiosa.

    Depende do tipo de infecção. Os mais comuns são colírios de cloranfenicol ou tobramicina para uso tópico, mas em recém-nascidos pode ser necessário antibiótico sistémico, sempre sob prescrição médica.

    Um canal lacrimal obstruído causa lacrimejo constante, sem vermelhidão significativa ou corrimento purulento. Costuma resolver-se espontaneamente ou com massagens.

    Sim, especialmente em casos de conjuntivite viral ou alérgica. Devem ser sem conservantes e apropriadas à idade, com recomendação do médico.

    • Febre elevada em bebés com menos de 3 meses;
    • Corrimento ocular intenso, purulento;
    • Pálpebras muito inchadas ou vermelhas;
    • Sensibilidade extrema à luz;
    • Não melhoria após 48 horas de tratamento.