Atrofia endometrial pós-menopausa: o que é, causas e tratamento
A atrofia endometrial pós-menopausa é o afinamento do endométrio, o tecido que reveste o interior do útero. Esta alteração está principalmente relacionada com a redução da estimulação hormonal que ocorre depois da menopausa.
Um endométrio atrófico pode não provocar sintomas nem necessitar de tratamento. No entanto, qualquer sangramento que surja depois da menopausa deve ser avaliado para determinar a sua origem e excluir outras alterações.
O que é a atrofia endometrial pós-menopausa?
A atrofia endometrial significa que o revestimento interno do útero se tornou mais fino, menos ativo e com menor capacidade de crescimento. Ao longo dos ciclos menstruais, o endométrio cresce e descama em resposta às hormonas. Depois da menopausa, deixa de existir essa estimulação cíclica e o tecido tende a tornar-se progressivamente mais fino.
Esta transformação pode fazer parte das alterações fisiológicas da pós-menopausa. A expressão “endométrio atrófico” num relatório não significa, por si só, que exista uma doença grave, devendo ser interpretada de acordo com os sintomas e o contexto clínico.
Quais são as causas da atrofia endometrial?
A principal causa da atrofia endometrial pós-menopausa é a diminuição da estimulação do endométrio pelos estrogénios. Com o fim dos ciclos menstruais, o revestimento interno do útero deixa de passar pelas fases regulares de crescimento e descamação. Como resultado, torna-se mais fino e menos ativo.
Esta alteração está, assim, diretamente relacionada com as modificações hormonais próprias da pós-menopausa e não deve ser confundida com a atrofia dos tecidos da vulva ou da vagina.
Atrofia endometrial, atrofia vaginal e hiperplasia endometrial: quais são as diferenças?
A atrofia endometrial, a atrofia vaginal e a hiperplasia endometrial são alterações diferentes, embora possam causar dúvidas por surgirem frequentemente associadas à menopausa ou ao sangramento vaginal.
Alteração | Tecido afetado | O que significa | Manifestações possíveis |
Atrofia endometrial | Endométrio, o revestimento interno do útero | O endométrio torna-se mais fino e menos ativo | Frequentemente não provoca sintomas, mas pode estar associada a sangramento após a menopausa |
Síndrome geniturinária da menopausa, anteriormente designada atrofia vaginal | Vulva, vagina e trato urinário inferior | Os tecidos tornam-se mais finos, secos e menos elásticos devido à redução dos estrogénios | Secura, ardor, comichão, desconforto nas relações sexuais e sintomas urinários |
Hiperplasia endometrial | Endométrio | Existe um crescimento excessivo ou menos organizado do revestimento interno do útero | Pode provocar sangramento anormal, embora algumas mulheres não apresentem sintomas |
A atrofia endometrial e a síndrome geniturinária da menopausa podem surgir simultaneamente, porque ambas estão relacionadas com a redução dos estrogénios. No entanto, afetam tecidos diferentes e o tratamento não deve ser considerado igual.
A hiperplasia endometrial é uma alteração distinta da atrofia. Um endométrio espessado numa ecografia pode levantar essa suspeita, mas não confirma o diagnóstico. Quando existe indicação clínica, pode ser necessário analisar uma amostra do endométrio.
Como é feito o diagnóstico?
A atrofia endometrial não é diagnosticada apenas através dos sintomas ou da indicação de “endométrio fino” num relatório de ecografia.
Na consulta, começamos por avaliar:
- Quando ocorreu a última menstruação;
- Quando surgiu o sangramento e qual a sua duração;
- A quantidade, a cor e a repetição das perdas;
- A medicação habitual;
- A utilização de terapêutica hormonal;
- Os antecedentes ginecológicos;
- Os fatores de risco individuais;
- Os resultados de exames anteriores.
A medicação é particularmente relevante. A terapêutica hormonal pode alterar o padrão de sangramento e a interpretação da espessura endometrial. O tamoxifeno pode provocar alterações do endométrio, enquanto os anticoagulantes podem favorecer ou intensificar perdas de sangue.
O exame ginecológico permite avaliar se o sangue poderá ter origem na vulva, vagina, colo do útero ou cavidade uterina.
Consoante o caso, a investigação pode incluir:
- Exame ginecológico;
- Ecografia endovaginal;
- Avaliação da espessura e do aspeto do endométrio;
- Colheita de uma amostra do endométrio ou biópsia;
- Histeroscopia para observar diretamente a cavidade uterina.
Nem todas as mulheres necessitam de realizar todos estes exames. A escolha depende das características do sangramento, dos fatores de risco e dos resultados da avaliação inicial.
A atrofia endometrial precisa de tratamento?
Um endométrio fino identificado numa mulher sem sintomas pode não necessitar de tratamento específico. Quando existe sangramento, o primeiro objetivo é confirmar a sua origem e excluir outras alterações. O tratamento não procura simplesmente aumentar a espessura do endométrio.
Se a investigação confirmar atrofia endometrial e não forem identificadas outras causas, a abordagem depende da intensidade e da repetição das perdas. Em muitas situações, não é necessária uma intervenção dirigida ao endométrio.
O estrogénio vaginal pode ser utilizado em determinadas situações de síndrome geniturinária da menopausa, mas não deve ser apresentado como tratamento direto da atrofia endometrial.
A orientação é sempre individualizada, tendo em conta os sintomas, os exames realizados, os medicamentos utilizados e os antecedentes de cada mulher.
Quando deve marcar uma consulta de Ginecologia?
Recomendamos marcar uma consulta de Ginecologia perante qualquer sangramento que surja depois de completar 12 meses consecutivos sem menstruação.
Também deve procurar avaliação quando existe:
- Sangramento recorrente;
- Corrimento rosado, vermelho ou castanho;
- Sangramento depois das relações sexuais;
- Dor pélvica associada;
- Sangramento durante a utilização de terapêutica hormonal;
- Alteração do endométrio identificada numa ecografia;
- Dúvidas sobre a espessura endometrial;
- Um novo episódio após uma avaliação anterior.
O sangramento abundante acompanhado por tonturas, desmaio, fraqueza acentuada ou mal-estar intenso deve motivar avaliação médica urgente.
No Douro Centro Médico, no Porto, os ginecologistas especialistas em menopausa avaliam os sintomas, interpretam os exames e definem se é necessário prosseguir a investigação.
Perguntas frequentes
A atrofia endometrial é normal depois da menopausa?
O afinamento do endométrio é frequente depois da menopausa e pode fazer parte das alterações fisiológicas desta fase. A sua importância depende dos sintomas, dos antecedentes e dos resultados dos exames.
A atrofia endometrial pode transformar-se em cancro?
A atrofia endometrial não é o mesmo que hiperplasia ou cancro. Apesar disso, não devemos assumir que um sangramento é benigno sem confirmar a sua origem através de avaliação médica.
Um endométrio fino encontrado por acaso precisa de acompanhamento?
Depende do contexto clínico. Na ausência de sangramento ou de outros achados, pode corresponder a uma alteração esperada da pós-menopausa.
O ginecologista deve considerar o aspeto completo do endométrio, os sintomas, a medicação utilizada e os fatores de risco individuais.
A terapêutica hormonal pode alterar a espessura do endométrio?
Sim. O tipo de terapêutica hormonal, a dose, a combinação de hormonas e o regime utilizado podem influenciar o aspeto do endométrio e o padrão de sangramento.
Por esse motivo, os valores observados numa ecografia devem ser interpretados tendo em conta o tratamento realizado.
A atrofia endometrial pode causar sangramento após a menopausa?
Sim. Embora muitas mulheres não apresentem sintomas, a atrofia endometrial pode estar associada a pequenas perdas de sangue ou sangramento depois da menopausa.
O endométrio mais fino pode tornar-se mais frágil e vulnerável a pequenas perdas. Contudo, não devemos assumir que o sangramento é causado pela atrofia sem uma avaliação ginecológica.
Outras causas possíveis incluem pólipos, alterações da vagina ou do colo do útero, hiperplasia endometrial e, menos frequentemente, cancro do endométrio ou de outros tecidos ginecológicos.
Recomendamos avaliação mesmo quando o sangramento:
- Ocorre apenas uma vez;
- Corresponde apenas a algumas gotas;
- Surge como corrimento rosado ou castanho;
- Não provoca dor;
- Desaparece espontaneamente.
Qualquer perda de sangue vaginal que surja depois de 12 meses consecutivos sem menstruação deve ser investigada. Pode consultar outras causas possíveis na página sobre sangramento fora do período menstrual.
É sempre necessário fazer uma biópsia quando existe sangramento após a menopausa?
Nem todas as mulheres seguem exatamente o mesmo percurso de investigação. A decisão depende dos fatores de risco, das características do sangramento, do aspeto observado na ecografia e das recomendações clínicas aplicáveis.
As orientações mais recentes defendem uma avaliação mais completa na maioria das mulheres, não devendo a decisão basear-se apenas na medição da espessura endometrial.
O que acontece se o sangramento voltar depois de exames normais?
Um novo episódio ou a persistência do sangramento deve ser novamente avaliado, mesmo quando os exames anteriores não identificaram alterações relevantes.
A repetição das perdas pode justificar novos exames ou uma abordagem diferente da realizada inicialmente.
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No Douro Centro Médico
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Aviso médico: A informação apresentada não substitui a avaliação por um ginecologista do Douro Centro Médico. Em caso de sintomas ou dúvidas, agende uma consulta.