...

Cancro do Ovário

Tabela de conteúdos
Índice
    Add a header to begin generating the table of contents

    O cancro do ovário é um tumor maligno que pode começar no ovário (ou, em muitos casos, nas trompas de Falópio e no peritoneu) e que, por vezes, evolui de forma silenciosa durante meses. Quando é identificado cedo, as hipóteses de controlo e até de cura são muito maiores; quando surge em fases avançadas, o tratamento tende a ser mais complexo. 

    Na nossa prática clínica, valorizamos sobretudo a persistência dos sintomas (por exemplo, barriga inchada “quase todos os dias”, saciedade precoce ou dor pélvica que não passa) e a avaliação atempada.

    Tópico

    Resumo

    O que é o Cancro do Ovário

    Tumor maligno com possível origem no ovário, trompas de Falópio ou peritoneu.

    Possíveis causas

    Alterações genéticas adquiridas e/ou herdadas (ex.: BRCA1 / BRCA2, síndrome de Lynch).

    Sintomas

    Inchaço abdominal persistente, dor pélvica, saciedade precoce, sintomas urinários, alterações intestinais.

    Diagnóstico

    Exame ginecológico + ecografia; CA-125 (em contexto clínico); TAC / RM; confirmação por biópsia/cirurgia.

    Tratamento

    Cirurgia e quimioterapia; terapêuticas alvo / manutenção em casos selecionados; preservação da fertilidade em situações específicas.

    Possíveis complicações se não tratado

    Disseminação abdominal, ascite, obstrução intestinal, derrame pleural / falta de ar, deterioração do estado geral.

    Prevenção (se aplicável)

    Sem rastreio na população geral; em alto risco, aconselhamento genético e medidas redutoras de risco.

    Quando agendar consulta

    Sintomas persistentes por semanas, história familiar relevante ou quisto / massa suspeita na ecografia.

    O que é o Cancro do Ovário?

    O cancro do ovário é o crescimento descontrolado de células malignas na região dos ovários (e, com frequência, relacionado com as trompas de Falópio e o peritoneu). 

    Existem vários subtipos, com comportamentos diferentes:

    • Tumores epiteliais (os mais frequentes, sobretudo após a menopausa), incluindo o carcinoma seroso de alto grau (um dos mais comuns e agressivos);
    • Tumores das células germinativas (mais raros, tendem a surgir em idades mais jovens e, muitas vezes, têm bom prognóstico com tratamento adequado);
    • Tumores do estroma / cordões sexuais (raros, por vezes associados a produção hormonal).

    Em termos de impacto populacional, o cancro do ovário é relativamente menos frequente do que outros cancros, mas tem elevada mortalidade. Em 2022, segundo o GLOBOCAN estimou 324 603 novos casos e 206 956 mortes no mundo.
    Em Portugal, para 2022, o mesmo sistema estimou 682 novos casos e 472 mortes (GLOBOCAN2022 | Portugal).

    Quais as possíveis causas do Cancro do Ovário?

    Na maioria das situações não existe uma “causa” única identificável. O que acontece é uma acumulação de alterações genéticas nas células, que passam a multiplicar-se e a invadir tecidos.

    Na prática, agrupamos as principais origens em:

    • Alterações genéticas herdadas (uma parte minoritária, mas muito relevante do ponto de vista preventivo);
    • Alterações genéticas adquiridas ao longo da vida, influenciadas por idade, inflamação crónica, fatores hormonais e outros riscos.

    Importa sublinhar que, hoje, sabemos que uma proporção importante dos tumores serosos de alto grau pode ter origem nas trompas de Falópio, o que ajuda a explicar por que razão, mesmo com ovários aparentemente “normais”, a doença pode já estar presente na cavidade abdominal.

    Quais os sintomas mais frequentes?

    Um dos maiores desafios do cancro do ovário é que, no início, pode não provocar sinais claros – e, quando dá sintomas, estes confundem-se facilmente com problemas gastrointestinais ou urinários.

    Os sinais de alerta mais comuns são:

    • Inchaço abdominal persistente;
    • Dor pélvica ou abdominal;
    • Ficar cheia rapidamente ao comer;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Alterações do trânsito intestinal;
    • Cansaço persistente;
    • Perda de peso inexplicada.

    Podem ainda ocorrer alteração do trânsito intestinal, cansaço marcado, perda de peso, dor lombar e, em fases mais avançadas, ascite (líquido no abdómen) e falta de ar.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é sempre clínico e imagiológico numa primeira fase, e confirmado por estudo anatomopatológico (análise de tecido / células).

    Habitualmente, seguimos passos como:

    1. História clínica e exame ginecológico (incluindo toque bimanual), valorizando duração e frequência dos sintomas;
    2. Ecografia pélvica / transvaginal, que ajuda a caracterizar quistos / massas (conteúdo líquido ou sólido, septos, vegetações, vascularização);
    3. Análises com marcadores como CA-125 (e, em contextos específicos, outros marcadores), sabendo que não servem para “rastreio” na população geral e podem subir noutras doenças (ex.: endometriose);
    4. Exames de estadiamento (por exemplo, TAC e/ou RM), quando há suspeita significativa;
    5. Cirurgia diagnóstica / terapêutica e/ou biópsia (em contexto hospitalar) para confirmação e estadiamento.

    Quais os possíveis tratamentos do Cancro do Ovário?

    O tratamento depende do tipo de tumor, estádio, idade, desejo de fertilidade e estado geral. Na prática, é comum combinar várias abordagens:

    Cirurgia

    O objetivo pode ser: confirmar diagnóstico e estádio; remover o tumor; e, em doença avançada, fazer cirurgia de citorredução (retirar o máximo de doença possível).

    Quimioterapia

    Frequentemente baseada em platina (ex.: carboplatina) associada a um taxano, em esquema adjuvante (após cirurgia) ou neoadjuvante (antes da cirurgia), conforme a situação clínica.

    Terapêuticas alvo e manutenção

    Em doentes selecionadas, podem ser usados fármacos como:

    • Inibidores PARP (particularmente relevantes em mutações BRCA e/ou deficiência de recombinação homóloga – HRD), muitas vezes em manutenção após resposta à quimioterapia;
    • Antiangiogénicos (ex.: bevacizumab) em cenários específicos.

    Preservação da fertilidade (em casos selecionados)

    Em estádios iniciais e em subtipos específicos (por exemplo, alguns tumores em mulheres jovens), pode ser possível planear cirurgia conservadora e estratégias para manter potencial reprodutivo – sempre com decisão partilhada e avaliação oncológica especializada.

    No Douro Centro Médico, acompanhamos a avaliação inicial (consulta de Ginecologia, ecografia pélvica e articulação com análises clínicas) e orientamos rapidamente a referenciação quando há suspeita que exige abordagem oncológica hospitalar.

    Qual a possível evolução / complicações se não tratada?

    Sem tratamento, a doença pode progredir e disseminar-se pela cavidade abdominal / peritoneu, levando a complicações como:

    • Ascite (acumulação de líquido) e distensão abdominal importante;
    • Obstrução intestinal;
    • Derrame pleural e falta de ar;
    • Perda de peso, anemia e deterioração do estado geral.

    O diagnóstico precoce melhora claramente o prognóstico.

    Quais os fatores de risco?

    Os principais fatores de risco que discutimos com maior frequência incluem:

    • Idade (o risco aumenta com a idade, sobretudo após a menopausa);
    • História familiar de cancro do ovário / mama e mutações hereditárias (BRCA1 / BRCA2; síndrome de Lynch);
    • Endometriose (associada a maior risco de alguns subtipos);
    • Ausência de gestações, menopausa tardia e maior “carga ovulatória” ao longo da vida;
    • Excesso de peso e alguns fatores metabólicos, em associação com risco global.

    Existem formas de prevenir o Cancro do Ovário?

    Não existe uma prevenção “perfeita”, mas há estratégias com impacto real:

    • Atenção a sintomas persistentes e avaliação médica sem adiar;
    • Contraceção hormonal: está associada, em vários estudos, a redução do risco de cancro do ovário (o benefício depende do tempo de uso e do perfil individual);
    • Gestão de risco hereditário: em famílias com forte história oncológica, recomendamos avaliação de risco e eventual aconselhamento genético;
    • Cirurgia redutora de risco (ex.: salpingo-ooforectomia bilateral) pode ser considerada em mulheres de alto risco (como portadoras de BRCA), em contexto especializado e após decisão informada;
    • Estilo de vida saudável (peso adequado, atividade física), como parte da prevenção global em saúde.

    FAQs

    Perguntas frequentes

    Na maioria dos casos, não. A grande maioria dos quistos do ovário é benigna e muitos desaparecem espontaneamente. 

     

    Raramente, um quisto pode já ser maligno ou ter características suspeitas – e o risco tende a aumentar após a menopausa, o que justifica vigilância adequada.

    Pode ter, sobretudo quando é diagnosticado em fases iniciais e é possível remover completamente a doença. 

     

    Em estádios avançados, falamos muitas vezes em controlo prolongado, com combinações de cirurgia, quimioterapia e terapêuticas de manutenção. 

    Segundo estimativas do GLOBOCAN 2022 (IARC / OMS), em Portugal ocorreram 472 mortes por cancro do ovário em 2022 (com 682 novos casos estimados nesse ano). Isto traduz uma doença com impacto relevante em mortalidade, apesar de não ser das mais frequentes.

    Uma parte dos casos é hereditária. Nem todo o cancro do ovário tem origem genética familiar, mas uma proporção relevante está associada a mutações herdadas, sobretudo nos genes BRCA1 e BRCA2, e também à síndrome de Lynch.

     

    Segundo o National Cancer Institute (NCI), cerca de 10 a 15% das mulheres com cancro do ovário apresentam uma mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2.

     

    Importa salientar que ter uma mutação genética não significa que a pessoa irá necessariamente desenvolver cancro, mas implica um risco significativamente aumentado, podendo justificar acompanhamento específico e, em alguns casos, medidas de redução de risco.

    Não necessariamente. Ter uma mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2 aumenta significativamente o risco, mas não significa que a doença vá obrigatoriamente desenvolver-se.

     

    Segundo o National Cancer Institute (NCI), o risco cumulativo ao longo da vida de desenvolver cancro do ovário é estimado em:

    • 39–58% para portadoras de mutação BRCA1
    • 13–29% para portadoras de mutação BRCA2

    Na população geral, o risco é de cerca de 1,1%.

     

    Estes valores reforçam a importância de acompanhamento médico especializado, aconselhamento genético e discussão de estratégias de vigilância ou redução de risco em mulheres portadoras destas mutações.

    Para a população geral não existe rastreio eficaz recomendado. Testes como ecografia transvaginal e CA-125, usados como rastreio em mulheres sem sintomas e de risco médio, podem gerar falsos positivos e cirurgias desnecessárias sem reduzir claramente a mortalidade – motivo pelo qual entidades como a USPSTF não recomendam rastreio de rotina.


    Em mulheres de alto risco hereditário, a estratégia tende a centrar-se em vigilância individualizada e, muitas vezes, medidas redutoras de risco discutidas em consulta especializada.

    Porque, no início, pode não dar sintomas claros e, quando aparecem, são frequentemente atribuídos a causas mais comuns (intestino, bexiga, menopausa). O SNS24 também sublinha a dificuldade do diagnóstico pela ausência / inespecificidade de sinais e sintomas.

    Na prática, o que mais nos orienta é a persistência e progressão: inchaço abdominal “quase diário”, enfartamento rápido, dor pélvica nova e sintomas urinários persistentes merecem avaliação, sobretudo se durarem semanas e não tiverem explicação. A diferenciação faz-se com história clínica, exame, ecografia e, quando indicado, análises e imagiologia.

    A curto prazo, podemos ver fadiga, náuseas, alterações gastrointestinais, dor e impacto emocional. A longo prazo, algumas mulheres ficam com neuropatia (formigueiros), alterações do trânsito intestinal, queixas urinárias, alterações da sexualidade e, se houver remoção dos ovários em idade fértil, menopausa induzida com impacto em ossos, pele, sono e humor. O plano de seguimento e reabilitação é parte essencial do tratamento.

    Depende do tipo de tumor, do estádio e do tratamento necessário. Em casos selecionados (sobretudo tumores precoces e alguns subtipos em mulheres jovens), pode ser possível preservar útero e parte do tecido ovárico, ou planear preservação de fertilidade antes de iniciar terapêutica. Esta decisão deve ser feita cedo, idealmente antes do primeiro tratamento oncológico.

    Varia muito com o estádio e o subtipo. Em doença avançada, a recorrência é frequente; revisões e guidelines referem que até cerca de 70% dos casos estádio III–IV podem recidivar nos primeiros anos, enquanto em doença inicial o risco tende a ser bem mais baixo.

    Sim, embora seja menos frequente, o cancro do ovário em jovens pode ocorrer.

     

    Na maioria dos casos em mulheres mais velhas, os tumores são do tipo epitelial. Já em adolescentes e mulheres jovens, são relativamente mais comuns os tumores das células germinativas, que têm comportamento biológico diferente e, muitas vezes, bom prognóstico quando diagnosticados precocemente.

     

    Os sintomas podem ser semelhantes aos das mulheres mais velhas (dor abdominal, aumento do volume abdominal, massa pélvica), mas em jovens é também frequente a descoberta através de ecografia realizada por dor pélvica ou irregularidades menstruais.

    Importa salientar que:

    • A maioria dos quistos do ovário em jovens é benigna.
    • A presença de dor persistente, aumento rápido do volume abdominal ou massa palpável deve ser avaliada.
    • Em alguns casos selecionados, é possível realizar cirurgia conservadora, preservando fertilidade.

    Apesar de raro, o diagnóstico precoce é igualmente determinante nesta faixa etária.

    Especialistas em Ginecologia do Douro Centro Médico

    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia / Uroginecologia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia

    Agende uma consulta de Ginecologia

    No Douro Centro Médico

    Av. da Boavista 197, 2ºB, 4050-115 Porto, Portugal

    Aviso médico: A informação apresentada não substitui a avaliação por um ginecologista do Douro Centro Médico. Em caso de sintomas ou dúvidas, agende uma consulta.