...

Tricomoníase

Tabela de conteúdos
Índice
    Add a header to begin generating the table of contents

    A tricomoníase é uma infeção sexualmente transmissível (IST) provocada pelo protozoário Trichomonas vaginalis.

    É uma infeção relativamente frequente, muitas vezes silenciosa, o que contribui para a sua propagação. É curável, mas o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para evitar complicações e reinfeções.

    Tópico

    Resumo

    O que é a tricomoníase

    Infeção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis; afeta mulheres e homens, podendo ser assintomática; é curável com tratamento adequado.

    Como se transmite

    Transmissão quase exclusiva por contacto sexual desprotegido; raramente por objetos húmidos contaminados (toalhas ou roupa interior).

    Sintomas

    Corrimento vaginal esverdeado ou amarelado, odor intenso, comichão, ardor ao urinar, desconforto durante o contacto sexual; nos homens, corrimento uretral ligeiro e irritação na glande, podendo ser assintomáticos.

    Possíveis complicações se não tratada

    Aumento do risco de outras IST (como VIH), inflamação pélvica, infertilidade e, em grávidas, parto prematuro e possível transmissão ao bebé durante o parto.

    Diagnóstico

    Avaliação médica e exames laboratoriais (observação microscópica, teste rápido, cultura ou PCR).

    Tratamento

    Antibióticos específicos; tratamento simultâneo dos parceiros; abstinência sexual até à cura; reavaliação médica após o tratamento.

    Quando agendar consulta

    Sempre que exista corrimento anormal, odor, comichão, ardor ao urinar ou após contacto sexual sem proteção.

    O que é a Tricomoníase?

    A tricomoníase é uma infeção genital causada por um parasita microscópico, o Trichomonas vaginalis, transmitida sobretudo por via sexual. É considerada uma das infeções sexualmente transmissíveis (IST) mais prevalentes em todo o mundo, afetando tanto mulheres como homens.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que ocorram mais de 1 milhão de infeções sexualmente transmissíveis curáveis todos os dias. Em 2020, a OMS calculou cerca de 374 milhões de novos casos de quatro principais IST curáveis, sendo aproximadamente 156 milhões atribuídos à tricomoníase – o que a torna a infeção sexualmente transmissível não viral mais comum a nível global.

    A infeção afeta principalmente a vagina e a uretra, tanto em mulheres como em homens. Apesar de poder ser assintomática, pode provocar inflamação e desconforto significativos.

    Quais as possíveis causas e como se transmite a Tricomoníase?

    A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis e transmite-se quase exclusivamente por via sexual, através do contacto direto entre mucosas genitais durante relações vaginais desprotegidas. O parasita sobrevive muito pouco tempo fora do corpo humano, pelo que a transmissão por toalhas ou roupa é excecional.

    Nas mulheres, o parasita instala-se habitualmente na vagina e no colo do útero, enquanto nos homens coloniza a uretra, podendo também afetar a próstata. Observamos que os homens eliminam mais facilmente a infeção, o que explica porque muitos permanecem assintomáticos.

    Quais os sintomas mais frequentes?

    Na nossa prática, observamos que os sintomas da tricomoníase variam consoante o sexo, a intensidade da infeção e o tempo de evolução. Em muitos casos, especialmente nos homens, a infeção pode ser assintomática, o que favorece a sua transmissão.

    Sintomas da Tricomoníase na mulher

    Os sintomas na mulher costumam ser mais evidentes e incluem:

    • Corrimento vaginal esverdeado, pode variar entre um tom verde-claro até um corrimento verde pastoso ou corrimento amarelo esverdeado, podendo ou não ter odor desagradável.
    • Odor intenso e desagradável, descrito muitas vezes como “a peixe”;
    • Comichão, ardor e irritação genital, sobretudo na vulva e vagina;
    • Dor e ardência durante o contacto sexual (dispareunia);
    • Ardor ao urinar;
    • Pequeno sangramento após o contacto sexual, devido à inflamação local;
    • Em alguns casos, ligeiras alterações no ciclo menstrual, associadas a inflamação intensa.

    Sintomas da Tricomoníase no homem

    Nos homens, os sinais tendem a ser mais discretos:

    • Corrimento uretral ligeiro e translúcido;
    • Ardor ou desconforto ao urinar;
    • Irritação na glande ou no prepúcio;
    • Ausência total de sintomas em grande parte dos casos (portadores assintomáticos).

    O corrimento anormal e a comichão genital são, em ambos os sexos, sinais de alerta importantes, justificando avaliação médica e rastreio de outras infeções sexualmente transmissíveis.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da tricomoníase combina a avaliação clínica com exames laboratoriais específicos, que permitem identificar o parasita Trichomonas vaginalis de forma rápida e precisa.

    Normalmente, o processo inclui:

    • Avaliação médica e exame ginecológico ou urológico, consoante o sexo e os sintomas apresentados;
    • Análise de secreções vaginais ou uretrais, onde o parasita pode ser observado ao microscópio;
    • Testes rápidos de deteção de antigénios, úteis para diagnóstico imediato em consulta;
    • Cultura microbiológica ou teste PCR (biologia molecular), métodos de elevada sensibilidade e especificidade que confirmam a infeção, mesmo em casos assintomáticos.

    Estes exames fazem parte do Teste às DST / IST, um rastreio laboratorial completo que permite detetar várias infeções sexualmente transmissíveis, incluindo tricomoníase, clamídia, gonorreia, sífilis e herpes genital, contribuindo para um diagnóstico precoce e tratamento adequado.

    Para alguns casos, podem ainda ser recomendados exames complementares, como o teste de HPV ou o Papanicolau, especialmente em mulheres com inflamações cervicais recorrentes ou alterações no corrimento vaginal.

    Quais os possíveis tratamentos da Tricomoníase?

    A tricomoníase tem cura, desde que o tratamento seja seguido corretamente. O protocolo terapêutico inclui:

    • Antibióticos específicos como metronidazol ou tinidazol, geralmente numa única dose oral, consoante a avaliação médica;;
    • Tratamento simultâneo dos parceiros sexuais, mesmo que assintomáticos;
    • Abstinência sexual até que ambos estejam curados;
    • Reavaliação médica após o tratamento, para confirmar a erradicação do parasita.

    O cumprimento integral da terapêutica e o tratamento conjunto do casal são essenciais para evitar reinfeções.

    Qual a possível evolução / complicações se não tratada?

    Quando não é tratada, a tricomoníase pode originar complicações relevantes para a saúde sexual e reprodutiva, tanto em mulheres como em homens. A inflamação persistente das mucosas genitais facilita a entrada de outros agentes infeciosos e pode provocar alterações a longo prazo.

    Entre as possíveis consequências clínicas destacam-se:

    • Maior risco de infeção pelo VIH e outras IST, devido à inflamação local e à fragilidade das mucosas;
    • Doença inflamatória pélvica e dor abdominal crónica, resultantes da disseminação da infeção para os órgãos reprodutivos internos;
    • Infertilidade feminina, em casos prolongados ou de infeções recorrentes não tratadas;
    • Em mulheres grávidas, parto prematuro e rotura precoce de membranas, podendo também afetar o peso do bebé à nascença;
    • Transmissão vertical, ou seja, passagem do parasita da mãe para o bebé durante o parto.

    Estas complicações são, felizmente, evitáveis. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem eliminar a infeção e restaurar o equilíbrio da saúde genital.

    Quais os fatores de risco?

    Alguns comportamentos e circunstâncias podem aumentar a probabilidade de contrair tricomoníase. Na nossa experiência, observamos que o risco é mais elevado em situações como:

    • Relações sexuais sem preservativo, principal forma de transmissão do Trichomonas vaginalis;
    • Múltiplos parceiros sexuais ou mudança frequente de parceiro, especialmente sem rastreio prévio;
    • Histórico de outras infeções sexualmente transmissíveis (IST), que podem fragilizar as mucosas genitais e facilitar a infeção;
    • Baixa imunidade ou doenças que afetam as defesas do organismo;
    • Ausência de rastreios ginecológicos ou urológicos regulares, que são essenciais para detetar precocemente infeções muitas vezes assintomáticas.

    A adoção de práticas sexuais seguras e o rastreio periódico em contexto médico especializado são fundamentais para prevenir a infeção e preservar a saúde sexual.

    Existem formas de prevenir ou evitar a tricomoníase?

    A prevenção da tricomoníase baseia-se em medidas simples, mas eficazes, que ajudam a evitar a infeção e reduzir o risco de reinfeção. Recomendamos:

    • Uso correto e consistente do preservativo em todas as relações sexuais, principal forma de proteção contra o Trichomonas vaginalis e outras infeções sexualmente transmissíveis;
    • Rastreios ginecológicos ou urológicos regulares, especialmente em pessoas sexualmente ativas, para detetar precocemente infeções muitas vezes assintomáticas;
    • Evitar a partilha de objetos íntimos, como toalhas, roupa interior ou brinquedos sexuais, e garantir sempre a sua higienização adequada;
    • Procurar avaliação médica imediata ao primeiro sinal de alteração genital, como corrimento, comichão, ardor ou odor anormal.

    A prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais para interromper a cadeia de transmissão. Estes princípios aplicam-se também a outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), como a Vaginose Bacteriana e a Candidíase, onde a educação sexual, o rastreio regular e o tratamento adequado dos parceiros desempenham um papel determinante na prevenção de novas infeções.

    FAQs

    Perguntas frequentes

    Não costuma ser grave, mas pode ter consequências importantes se não for tratada, como inflamação pélvica ou complicações na gravidez.

    Sim. O tratamento antibiótico é eficaz na maioria dos casos, desde que seja cumprido corretamente.

    A tricomoníase transmite-se principalmente por contacto sexual sem preservativo com uma pessoa infetada.

    Pode provocar pequeno sangramento vaginal após o contacto sexual, devido à irritação e inflamação da mucosa.

    O corrimento típico é esverdeado, amarelado ou espumoso, frequentemente acompanhado de odor intenso.

    Sim, a comichão vaginal é um dos sintomas mais comuns.

    Sem tratamento, pode persistir por meses. Com tratamento adequado, resolve-se em poucos dias.

    Não altera diretamente o ciclo menstrual, mas pode causar ligeiros desequilíbrios temporários devido à inflamação local.

    Sim, pois pode estar associada a parto prematuro ou baixo peso do bebé, pelo que o rastreio e tratamento são fundamentais durante a gestação.

    O exame baseia-se na colheita de secreções vaginais (ou uretrais, no homem) para análise microscópica ou teste molecular.

    Deve consultar um médico se tiver corrimento anormal, odor, comichão, ardor ao urinar ou após contacto sexual sem proteção.

    Ginecologistas do Douro Centro Médico

    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia / Uroginecologia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia
    Ginecologia e Obstetrícia

    Agende uma consulta de Ginecologia

    No Douro Centro Médico

    Av. da Boavista 197, 2ºB, 4050-115 Porto, Portugal

    Aviso médico: A informação apresentada não substitui a avaliação por um ginecologista do Douro Centro Médico. Em caso de sintomas ou dúvidas, agende uma consulta.